Se você anuncia na Meta há algum tempo, já ouviu que "precisa configurar a API de Conversões". Quase sempre a frase vem seguida de um orçamento de programador, de um tutorial de Google Tag Manager com servidor próprio ou de uma explicação cheia de sigla.
Dá para fazer sem nada disso. Antes, vale entender o que a Conversions API resolve, porque é isso que diz qual caminho serve para você.
O que é a Conversions API
O pixel da Meta é um script que roda no navegador de quem visita a sua página. Quando a pessoa compra, o pixel avisa a Meta. Funciona, mas depende do navegador colaborar.
A Conversions API (CAPI, ou API de Conversões) faz o mesmo aviso por outro caminho: de servidor para servidor. Quem avisa a Meta que a compra aconteceu é o seu sistema, não o navegador do comprador.
Isso importa por três motivos:
- Bloqueador de anúncio e navegador restritivo impedem o pixel de disparar. O servidor não passa por eles.
- Pagamento que termina fora da página, como o Pix pago no aplicativo do banco minutos depois, não tem navegador aberto para avisar. O servidor fica sabendo quando o gateway confirma.
- Qualidade da correspondência. O servidor pode mandar e-mail e telefone do comprador (em hash), o que ajuda a Meta a achar quem clicou no anúncio.
Com menos compras perdidas, o algoritmo aprende melhor quem compra, e a entrega melhora.
O cuidado que ninguém avisa: duplicidade
Se o pixel e a CAPI mandarem a mesma compra, a Meta pode contar duas. Para evitar, os dois precisam mandar o mesmo identificador de evento, o event_id. A Meta vê dois avisos com o mesmo id e junta num só.
O identificador mais seguro é o número do pedido. Ele é único, existe tanto na página de obrigado quanto no servidor, e não muda.
Outro jeito de duplicar é ter duas ferramentas mandando CAPI para a mesma conta, por exemplo o gateway e uma ferramenta de rastreamento. Escolha uma e desligue a outra.
Três caminhos sem programador
1. Pelo próprio gateway ou plataforma
Muitos gateways e plataformas de venda têm a opção de enviar eventos para a Meta. Você cola o id do pixel e um token de acesso gerado no Gerenciador de Eventos, e o gateway manda a compra quando o pagamento é confirmado.
É o caminho mais curto. A limitação é que o gateway conhece a venda, mas nem sempre conhece o anúncio. Ele manda a compra para a Meta, que atribui do jeito dela, e você continua sem saber no seu relatório qual anúncio trouxe a venda paga.
2. Por uma ferramenta de rastreamento
Ferramentas de rastreamento recebem a venda do gateway, cruzam com a UTM do clique e mandam a CAPI. Aqui você ganha as duas coisas: o evento chega à Meta e a venda aparece no seu relatório ligada ao anúncio.
O keroanunciar funciona assim. Você cola no keroanunciar o segredo do webhook da VenoPagments e usa a URL do keroanunciar como webhook_url das cobranças. Cada venda paga dessas cobranças chega com a UTM e os dados do comprador que vierem nela. O keroanunciar casa a venda com o anúncio e manda o evento de compra pela CAPI com o número do pedido como event_id. Se a conta já recebe CAPI por outro caminho, a tela de Rastreamento avisa para você não duplicar.
3. Pelo Gerenciador de Eventos, com parceiro
O próprio Gerenciador de Eventos da Meta tem integrações com parceiros em que a configuração é guiada. Se a sua plataforma de vendas estiver na lista, é um caminho válido. Confira sempre se o evento de compra é mandado na confirmação do pagamento, e não na geração do boleto ou do Pix.
Como saber se está funcionando
Depois de configurar, faça uma compra de teste e confira no Gerenciador de Eventos:
- O evento Purchase aparece com a origem "Servidor". Se só aparece "Navegador", a CAPI não está chegando.
- A deduplicação está ativa. Na visão do evento, a Meta mostra quantos eventos foram deduplicados. Se pixel e servidor aparecem e nada foi deduplicado, o
event_idnão está batendo. - A qualidade da correspondência está razoável. A Meta dá uma nota para os dados que acompanham o evento. E-mail e telefone em hash sobem essa nota.
Espere algumas horas antes de concluir que algo quebrou. O Gerenciador de Eventos nem sempre mostra tudo em tempo real.
Quando o evento de compra deve disparar
Esta é a parte que mais pesa para quem vende por Pix. Se o evento de compra dispara quando o Pix é gerado, a Meta aprende a trazer gente que gera Pix. Uma parte dessas pessoas nunca paga, e o algoritmo não tem como saber.
O certo é disparar Purchase só quando o pagamento é confirmado. Se quiser que a Meta também saiba do Pix gerado, use outro evento, como InitiateCheckout ou um evento personalizado. Assim o ROAS da Meta fica mais próximo do real e a otimização mira em quem paga.
Resumo para decidir
- Quer só que a Meta receba as compras? O envio pelo gateway resolve.
- Quer saber qual anúncio trouxe cada venda paga, com estorno descontado? Use uma ferramenta que cruze UTM e venda e mande a CAPI por você.
- Em qualquer caso: um só emissor de CAPI por conta, número do pedido como
event_ide compra disparada só no pagamento confirmado.
Nenhum desses passos exige código. Exige ter clareza de onde o evento nasce e de quem está mandando.